Outubro 27, 2007

Em dia de Feira, vá ao Supermercado

Nos 10,6 mil metros quadrados da Praça da Alfândega, onde se realiza a gloriosa Feira do Livro de Porto Alegre, deve passar 1 milhão de pessoas. Queira deus! Que saiam das livrarias e vão se acotovelar atrás de seus livros de auto-ajuda no Centro da cidade, e não atrapalhem as pessoas que vão procurar outros gêneros (os de verdade) com mais tranqüilidade nas livrarias.

Foi o meu caso hoje. Aproveitei para ir à Livraria Saraiva, valendo-me dos descontos de 20% que, por uma sensatez iluminada dos livreiros, vão além das fronteiras da Alfândega.

Irritou-me, no entanto, que cada pessoa que me via com meus novos volumes em mãos invariavelmente perguntasse: “Foste à Feira?”

“Não, imbecil, fui ao supermercado!”, respondo.

Outubro 26, 2007

YouTube Goldies – Jimmy Hendrix desplugado

Algumas das referências que encontrei datam a gravação em 1969. Mas no fundo não faz muita diferença. Ver Jimmy Hendrix agarrado num violãozinho tocando Hound Dog não exige referência temporal. Agora, imaginem como foi o resto dessa rodinha de violão hein!

Outubro 26, 2007

Chegam as tirinhas

Há algum tempo quero publicar coisas restritas ao bloquinho. Entre elas, alguns cartoons que fiz, meio assim, sem graça mas pretenciosos, como qualquer rabisco num bloco de notas que tanto pode morrer só no rascunho quanto virar um Prêmio Esso.

Não digo que tenha HQs premiáveis, mas pelo menos são rascunhos sinceros. Críticas são desejadas.

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Outubro 24, 2007

Colaboração: nós escrevemos, Oh leva a medalha

Acessei hoje o Ohmy News e, para meu estarrecimento, vi que o Oh Yen-ho – de onde vem o OH de Ohmy News – ganhou uma medalha pelo seu trabalho pioneiro em engajar os cidadãos como jornalistas pela democracia.

Convenhamos, o Ohmy News é uma EMPRESA cujo modelo de negócios apropria-se do jornalismo COLABORATIVO, uma iniciativa ANÔNIMA GLOBAL.

Ser um expoente da área? Bem, talvez por ganhar dinheiro com isso.

Vejamos. No Reino Unido, por exemplo, para realizar pesquisa e redigir um artigo de mil palavras (duas páginas e meia), mais ou menos o que se faz no OhmyNews, um jornalista profissional freelancer ganha 365 libras. Pouco? Em reais isso dá 1291,58. Conclusão: é melhor ser um jornalista freelancer no Reino Unido do que no Brasil (R$ 400 para mais ou menos a mesma quantidade de palavras).

Bem, o Ohmy News paga em dólar: 10 para capa de seção e 20 para home. Legal, né? Ao menos lá eles ganham menos que os brasileiros. Mas espera aí! Eles são AMADORES. Ah! Quer dizer então que eu faço um site pagando uma merreca com alguns milhares de amadores e depois levo uma medalhinha por minha contribuição à democracia?

Eu sou um entusiasta da colaboratividade, mas me encho o saco de certas babações. Não questiono o mérito do OMNI – eu mesmo tenho minhas materinhas lá – apenas acho que lá ainda EXISTE SIM um filtro.

Por mais gatewatching que seja – no lugar de gatekeeping – há um editor, jornalista, que irá apertar o botão e publicar a informação. Isso é colaboração, não cidadania ou exercício democrático.

Premiar Oh Yen-ho por democratizar a informação é dar um rosto à única manifestação que nasce sem face – a ação no ciberespaço.

Outubro 24, 2007

Google Maps Brasil – até que enfim

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Agora eu não me perco mais. Já podemos acessar o Google Maps no Brasil. Ah, grande coisa, você talvez diga, eu já acessava antes. Ora, leitor, eu também. Ocorre que ter um .br é requisito básico para que todos os outros tipos de recursos que o site oferece cheguem ao site brazuca.

Há outros sites com serviços semelhantes no Brasil, claro. Temos o Hagah na região Sul; o Apontador em São Paulo e Rio de Janeiro. Há também localizadores de endereço como o do UOL e do Terra. E entre cidades, o Mapa Vivo.

, lógico, melhor que todos eles juntos, apesar de alguns erros e absurdos, como o de mandar ir a nado de Belo Horizonte para Miami, mas tudo bem. Só o fato de poder desenhar minhas rotas, delimitar áreas, identificar os locais e estabelecimentos que eu quero, do jeito que me convier, já dá um banho nesses outros mecanismos comerciais que, além de entregar uma informação pronta nada mais fazem.

Ou seja, estão enterrados na web 1.0. Nada de colaboratividade ou de concessões aos internautas. Não há a menor graça em uma ferramenta estática. Por isso o Google, pra mim, é o melhor nessa área. Não há concorrência, porque o Google é hor concurs.

Outubro 20, 2007

YouTube Goldies – O culto Janis

Certa feita, um amigo meu disse que todos deveriam ir a um show inesquecível antes de alumiar a cola na macega (morrer). Felizmente, antes dos 21 já tinha ao menos três desses, que relatarei em outra oportunidade, se convier.

Quero agora dividir com vocês um momento certamente inesquecível para outros alemães nos idos de 1969. Mais precisamente, segundo fontes do Google, em 12 de abril de 1969.

Woodstock ainda não rolara (Janis tocou no festival em 16 de agosto, sábado), mas o álbum Cheap Thrills, da Big Brother & The Holding Company já fizera o nome da vocalista. Ou seja, ela já iniciara sua trajetória lendária de estrela do rock.

Pois este show na Alemanha prova isso. Ao tocar Piece of My Heart, Janis chama a galera para o palco e, para o espanto deste blogueiro, os alemães caem, com seu rebolado nada ortodoxo, no rocão. Detalhe para o gordinho de gravata preta e o cara de bigode e colar paz e amor à esquerda do vídeo, são performances hilárias, mas quem não soltaria a franga no seu show inesquecível?

Agosto 23, 2007

Agência Brasil explica obras do Pan no Google Maps

Não, essa foto não é das obras do PanCom uma boa “embedada”, a Agência Brasil se valeu do eficiente Google Maps par mostrar o que se fará das obras públicas dos jogos Pan-Americanos que foram reformadas no Rio de Janeiro. É um ótimo uso jornalístico da ferramenta, ainda não visto na maioria dos sites.

O motivo? Desconheço, mas suspeito que tenha algo que ver com os direitos autorais, uma suspeita meio ilegítima, confesso, já que o Google chega a ser grátis até demais (há jornais que pagam por imagens de satélite semelhantes – nada encontrei na página do Google sobre o tema, apenas este link, que, penso, se refere a infrações cometidas pelo Google).

Se não for por isso, é por puro despeito. Enfim, eu mesmo gostaria de utilizar mais o recurso em meu trabalho, e por aqui também, mas ainda não aprendi a embedar o bendito.

Agosto 23, 2007

A moral da chupação no webjornalismo

Ninguém gosta de admitir que chupa, ainda que seja atividade corrente e indecorosamente prazerosa para alguns portais. Por isso, há pudores para se considerar. Primeiro, pra quem não sabe, “chupar” é a gíria do meio webjornalístico para o ato de copiar notícias da concorrência que não constam em fontes próprias.

Na verdade, quase tudo no jornalismo de internet é copiado de algum lugar, ou transcrito da TV, ou de uma rádio, com a exceção de apurações próprias, é claro.

GENALOGIA DA (M)ORAL

• É feio falar de boca cheia ou
Não chuparás na íntegra

Uma das regras básicas é reescrever as matérias, invertendo estruturas, mudando a ordem das frases, trocando termos por sinônimos, etc. A idéia é não dar tão na vista. Matéria com título repetido, então, só de agência assinada.

• Limpando a boca ou
Citai a fonte, mas só quando chupares outra mídia

Não é vergonha, por exemplo, dar uma boa chupada em mídias não on-line, ainda que seja de sua versão on-line. Exemplo: denúncias de revistas semanais. É quando lemos aqueles títulos terminados por “diz revista” ou iniciados por “Revista diz que”. O mesmo vale para jornais. Há uma diferença, no entanto, em se tratando de TV e rádio. Esses aí geralmente só ganham um “as informações são da Rádio TAL” ou da “TV ALGO”.

• Fruto proibido ou
Mantenha a língua longe das exclusivas

As exclusivas em sites não são muito comuns, geralmente aquele nomezinho que gloriosamente assina a matéria só copiou, ou chupou, a informação de um órgão público ou coisa parecida. No entanto, diante de uma exclusiva, geralmente apontada assim na capa ou com declarações tipo “disse ao TAL [onde tal é o nome do site]”, todo linguarudo recua. Esse é o mais imoral ato da lasciva prática da chupação. Há que se respeitar o material alheio. Além do mais, ninguém gostaria de escrever “segundo o site”.

OBS: certas afiliadas não se importam em citar o site-mãe. Daí não se diria uma chupada, só uma mamadinha (carinhoso, né?).

• Eles chupam, nós chupamos ou
Roubando a idéia de transcrição alheia

Essa geralmente se aplica a sites de veículos internacionais. É como ter um repórter de primeira no outro lado do mundo, ou ali do lado mesmo, de graça. Exemplo: reportagens copiadas de jornais peruanos por sites brasileiros que renderam uma manchetinha legal na manhã do último domingo. Nesse caso, vale o mesmo exemplo da segunda regra supra-citada, incluindo um “segundo o veículo tal”, mas não muito. Faz de conta que estivemos lá. É chupada internacional.

• Só dá uma assanhadinha ou
Copie apenas alguns trechos

Sabe aquela matéria que todo mundo tem menos você porque a porcaria da sua agência não deu? Então pega a de ontem contextualizando o que aconteceria hoje, copia umas citações de um veículo local e pronto! Aí está o seu quibe chupada sem fronteiras. Exemplo: a agência só disse que Bush ia visitar a área da ponte caída, e o NYTimes já tem as falas dele lá, é só fazer um boca-a-boca no G. W. B. que tá tudo resolvido – citando a fonte, claro!

• Cheirando o bafo pra descobrir o almoço ou
Se foi veiculado na TV, é só pegar o aspas

Outra tática recorrente é aproveitar a citação da concorrência, retirada de eventos transmitidos na TV, para chamar a sua matéria, por mais o resto do texto às vezes não tenha nada a ver. Isso corre bastante em sessões do STF, de CPIs, e outros eventos televisionados. Quem é que vai dizer que o chupador não ouviu aquilo, por mais que a versão inicial sequer tenha citado o mesmo personagem? Essa é a chupada mais descarada e menos atribuível. Dela decorre a padronização de certos títulos.

Bom essas são algumas táticas observáveis nessa grande orgia que é o jornalismo online onde ninguém, ou melhor, nenhum texto, é de ninguém.

Agosto 23, 2007

Tem dedo sujo na Wikipedia

O New York Times do dia 19 publicou a matéria Rastreando digitais corporativas na Wikipedia. O texto, em síntese, aponta indícios da edição por uma empresa de seu próprio verbete na Wikipedia. Atividade quase criminosa para os idealistas anticorporação.

Um texto do Ohmy News um dia depois apontava para outro dedo sujo, o da CIA, editando verbetes “in order to save lives”, hell yeah!

Quando eu citei a Wikipedia no meu trabalho de conclusão de curso me chamaram de idealista. Ainda bem que o único erro de informação foi atribuído a uma autora citada, e não à enciclopédia wiki.

Que dedo fede mais?

Eu sempre quis ter aquela visão de que existia o NOSSO e o DELES. Tipo nossa Wikipedia e a Enciclopédia cheia de átomos e ácaros deles – ELES, é claro, são o lado negro da web, a banda podre da conexão, o mal corporativo.

Com o tempo, a partir do momento em que percebi que o Google é uma Corp. Inc., meus ideais arriaram a meio mastro, e a bandeirinha tremula com menos assanhamento cada vez que um empreendimento da internet se converte em cifrões para alguém.

Não há mais razões para ingenuamente se pensar que grandes empresas não furungam na Wikipedia. Saber da presença DELES, no entanto, gera uma desconfiança às avessas. Sempre se suspeitou das mentiras nos verbetes; agora se desconfiará das verdades. A regra, no entanto, deveria se aplicar a toda e qualquer publicação, wiki ou não, porque:

Uma marca sempre virá acompanhada de interesses: duvido que Coca-Cola ou Mc Donalds deixassem “boatos” a seu respeito na Wikipedia;

Ninguém gosta de ser mal-falado: alguma ofensa se cria muito tempo nas páginas de políticos?

Ou seja, é inevitável que ELES ponham o dedo no NOSSO bolo. E pior é que barrar seria contra todos os princípios da ABERTURA possibilitada pelas ferramentas Wiki. Com dedo sujo ou não, todos estamos na mesma mão.

Tá a fim de ler mais, seguem uns links:
>> Dá pra confiar na Wikipedia (inglês)
>> Como eles descobriram as edições? Wikiscanner
>> Wikipedia e os serviços de inteligência, no OMNI

Agosto 21, 2007

YouTublet’s # 1

Fã do Cake ou não, este vídeo provavelmente lhe agradará. Trata-se de uma “pesquisa” de qualidade sobre a música Short Skirt/Long Jacket, adicionada em fevereiro deste ano. Deram um fone de ouvido para diferentes sujeitos pela rua e pediram a opinião deles sobre a canção, enquanto ela tocava.